Facilidades e Dificuldades à Autonomia Profissional de Enfermeiros no Cuidado de Pessoas com Feridas: Estudo de Representações Sociais
DOI:
https://doi.org/10.5327/Z1806-3144201700010002Keywords:
Autonomia profissional, Enfermagem, Psicologia socialAbstract
A autonomia profissional pressupõe independências moral e intelectual para usufruir da capacidade de governar-se pelos próprios meios e tomar decisões livremente. Esta pesquisa teve por objetivo analisar as representações sociais elaboradas por enfermeiros sobre as dificuldades para estabelecer uma autonomia profissional no cuidado às pessoas com feridas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, delineada a partir da teoria de representações sociais em sua abordagem processual, realizada com 31 enfermeiros que desempenhavam suas funções em um hospital público municipal do estado do Rio de Janeiro. As entrevistas foram transcritas e submetidas à análise de conteúdo temática, instrumentalizada pelo software Nvivo 10. No pensamento social dos enfermeiros, se a ausência da comissão de curativos, a indisponibilidade de produtos variados para coberturas, o cerceamento da liberdade de atuação pela instituição e a ausência de protocolos prejudicam a plenitude da autonomia profissional, este quadro pode ser revertido pelo estabelecimento da comissão de curativos, fornecimento de coberturas para eles, provimento da liberdade de atuação hospitalar e desenvolvimento de protocolos institucionais. Os enfermeiros percebem fatores que podem dificultar o exercício da autonomia profissional, mas que podem ser solucionados, dependendo das modificações realizáveis no contexto institucional. Conclui-se haver dualidade da instituição na representação social dos sujeitos, que a abordam ora como facilitadora da autonomia profissional, ora enquanto sua inibidora, baseando-se no contexto laboral que promovem aos enfermeiros em suas atividades junto a pessoas com lesões de pele.